sábado, 10 de julho de 2010

Uma heroína chamada Irena Sendler

Para os que ainda não sabem, vale a pena conhecer a história de Irena Sendler, tardiamente reconhecida como uma das grandes heroínas polonesas da Segunda Guerra Mundial por salvar 2.500 crianças judias que viviam no gueto de Varsóvia dos campos de concentração. Foi brutalmente torturada, mas jamais entregou a lista dos nomes originais e famílias de todas as vidas que salvou. Irena morreu aos 98 anos em 2008 e em 2007 foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.

Assim como Steven Spielberg teve a sensibilidade de produzir a “Lista de Schindler”, revelando ao mundo a façanha de salvar os funcionários judeus de sua fábrica, o sacrifício feito por Irena também renderia um comevente roteiro.

Como assistente social, ela trabalhou com famílias judias pobres de Varsóvia, onde viviam 400 mil dos 3,5 milhões de judeus de toda a Polônia. Mas isso foi antes da guerra. A partir de 1940, Irena se mobilizou para fornecer alimentos, roupas e medicamentos aos moradores do gueto instalado pelos nazistas, correndo riscos de ser flagrada. Preocupada com a possível morte de milhares de crianças que provavelmente seriam enviadas para os campos de morte, conseguiu retirá-las de maneira clandestina, abrigando-as em famílias católicas ou em conventos.

Em muitos casos, os pais entregavam seus filhos apenas movidos pela esperança de que poderiam permanecer vivos, mesmo distante da família de origem. As crianças eram escondidas em maletas e retiradas por bombeiros ou em caminhões de lixo e para serem protegidas, tiveram sua identidade trocada.
Mas Irena não se contentou com o salvamento e montou um arquivo com o nome original de cada criança resgatada e ainda o registro de sua família. Esta lista ela guardou em potes de vidro, que enterrou em local secreto.

Em 1942, Irena Sendler se uniu ao movimento de resistência Zegota, (Conselho de Ajuda aos Judeus). Mas em outubro de 1943 foi capturada e, detida no quartel-general da Gestapo, foi torturada pelos nazistas que quebraram seus pés e pernas. Ainda assim, nada revelou. Mesmo sendo condenada à morte, milagrosamente foi salva quando a conduziam à execução por um oficial alemão que a resistência polonesa conseguiu corromper. A partir daí, mudou sua identidade e continuou sua luta clandestina até o final da guerra, trabalhando como supervisora de orfanatos e asilos em seu país.

Infelizmente, muitas das crianças salvas jamais puderam rever sua família, já que seus pais foram enviados para as câmaras de gás. Mas a história de suas origens permanece assim como a gratidão por transformarem-se em sobreviventes.

Em 1965 o memorial israelense do Holocausto, o Yad Vashem, concedeu a Irena o título de Justo entre Nações, destinado aos não judeus que salvaram judeu. Mas foi apenas em 2007 que a Polônia lhe prestou homenagem solene e seu nome foi proposto ao prêmio Nobel da Paz.

Irena nunca se considerou uma heroína e sempre achou que poderia ter feito mais. Talvez o maior prêmio de toda sua vida foi ter sido reconhecida por algumas pessoas que salvou, sobreviventes que ainda eram crianças e que, quando adultos, lembraram de seu rosto e de seu inesquecível gesto em favor da vida.

blog comments powered by Disqus
Related Posts with Thumbnails